segunda-feira, 30 de abril de 2012

Codevasf deve investir no plantio de Caju em Alagoas



O senador Benedito de Lira (PP-AL) se reuniu com a ministra da Casa  Civil, Gleisi Hoffmann, para debater projetos que promovam o desenvolvimento de Alagoas.
Entre as propostas discutidas está a iniciativa da Codevasf que prevê o plantio de 5 milhões de pés de caju no semiárido do estado a fim de gerar oportunidade de emprego e renda para os moradores da região. "A ministra gostou da ideia e quer ver o projeto completo o mais rápido possível", revelou Benedito de Lira (PP).
O senador aproveitou a oportunidade para pedir apoio na transferência do presídio de Arapiraca e anunciou que enviará um expediente da bancada alagoana solicitando, formalmente, a construção da nova penitenciária em local adequado. Localizado nas imediações da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), o presídio possibilita fugas frequentes de presos e tem atrapalhado o andamento das atividades acadêmicas.
A fim de reestruturar a produção de açúcar e álcool, importante atividade econômica, Benedito de Lira solicitou uma audiência entre Governo Federal e representantes do setor sucroalcooleiro para analisar a pauta de reivindicação tanto dos produtores como da União. O objetivo é estabelecer diretrizes comuns para beneficiar o mercado, os consumidores e o desenvolvimento regional. (Fonte: Cada Minuto - Alagoas)

sábado, 28 de abril de 2012

O clamor da cajucultura cearense


(Transcrevemos abaixo artigo de Paulo de Tarso Meyer, Engenheiro agrônomo e presidente do Sindicato dos Produtores de Caju do Ceará (Sincaju), publicado no Jornal O Povo, de 28/4/2012)
O Ceará exporta 130 milhões de dólares, em média, de amêndoas de castanha de caju, um dos produtos mais importantes da nossa pauta de exportações. A cajucultura emprega, desde a lavoura até o beneficiamento industrial, em torno de 150 mil pessoas. 
A safra processada em anos regulares, incluindo as compras do produto efetuadas em outros estados, não abastece com suficiência o suporte de processamento das indústrias locais, gerando dificuldades operacionais para essas empresas.
A expectativa de safra poderá ficar acima da média na eventual possibilidade de ainda ocorrerem precipitações até o fim da estação chuvosa. Para suprir a possibilidade de escassez, as indústrias cearenses recorrem à importação da castanha em outros países produtores suprindo sua capacidade de beneficiamento.
O Sindicato dos Produtores de Caju do Ceará (Sincaju) tem ofertado às autoridades iniciativas focadas nas seguintes medidas: a) aprovação e a liberação de recursos do Funcaju que teve sua constitucionalidade aprovada pelo Senado. Enquanto o Funcacau usado no combate à vassoura de bruxa na Bahia e o Funcafé, para as áreas produtoras, estão devidamente legitimados e regularizados, o Funcaju clama por esforço político para sua total viabilização; b) Com o Funcaju, os pomares poderiam ser modernizados, no tocante a uma sistemática assistência técnica, à massificação de tecnologias desenvolvidas pelos órgãos de pesquisa e com sustentação de crédito rural subsidiado.
Hoje os pomares estão praticamente abandonados, fato recorrente nos últimos 30 anos. Ocorre que essa amêndoa é a noz mais cara e de maior demanda no mundo, e nós, que já ocupamos a primeira posição entre os produtores com a Índia, hoje estamos numa situação vexatória, com pomares envelhecidos e com baixíssima produtividade, com utilização mínima de tecnologias adequadas.
Reconheçamos o esforço dos deputados estaduais Hermínio Resende e Manoel Duca, presidente da Comissão de Agropecuária e da Subcomissão Cajucultura da Assembleia Legislativa do Ceará, respectivamente, aliados à determinação e ao compromisso dos idealizadores chefe do Poder Legislativo, deputado Roberto Claúdio, e chefe do Poder Executivo, governador Cid Gomes. Estamos convictos de que a cajucultura ressurgirá forte e assumirá seu importante papel na vida econômica e social do Estado do Ceará.

Ceará importa castanha da África para suprir demanda da indústria

Chega ao Ceará, na próxima segunda-feira, o primeiro navio de castanhas "in natura" importadas da África. O carregamento de aproximadamente quatro toneladas vem da Costa do Marfim, país da costa oeste africana, e ainda será processado para se tornar amêndoas, antes de entrar no mercado.
O carregamento vem para ajudar a suprir a demanda, já que com a expectativa de safra, para este e o próximo ano, de apenas 302 mil toneladas de castanha de caju, segundo o IBGE, as indústrias de beneficiamento no País terão que importar a matéria-prima da África, um dos maiores produtores mundiais.
A safra brasileira de aproximadamente 300 mil toneladas não atende a capacidade instalada das indústrias nacionais e, além disso, até 15% desta safra ainda não chegou a ser comercializada para as indústrias.
Segundo o presidente do Sindicaju (Sindicato das Indústrias de Beneficiamento de Castanha de Caju e Amêndoas Vegetais do Ceará), Evilázio Marques, essa necessidade deve-se ao fato de a produção nacional representar, hoje, metade da capacidade instalada do setor - cerca de 600 mil toneladas, com 90% desse volume concentrados no Ceará.
"As indústrias associadas ao Sindicaju dão prioridade à castanha nacional pelo seu tamanho, que é maior do que o da castanha africana, que tem tamanho médio. Entretanto, a safra brasileira de castanha é pequena para atender à capacidade instalada do setor, sendo totalmente consumida", explica.
Na sua avaliação, para que se possa industrializar, pelo menos 65% da capacidade instalada nacional, compensando em parte a redução da safra brasileira, que vem ocorrendo a cada ano, estima-se que as empresas tenham que importar, até setembro de 2012, em torno de 100 mil toneladas, de Gana, Guiné Bissau, Costa do Marfim e outros países da África Ocidental. "O Brasil é integrante da economia mundial. O setor de castanha de caju não poderia ser diferente, pois estamos concorrendo com outros países, como a Índia e o Vietnã, que há muitos anos realizam importações da África", diz.

Impactos
De acordo com Marques, a importação da matéria-prima africana também se justifica pelos impactos positivos decorrentes de sua realização. "Os impactos causados na economia cearense são muito importantes, pois irão garantir aumento dos empregos diretos e indiretos nas indústrias, além de aumento de divisas para o Estado", explica. Conforme disse, a importação feita pelas indústrias associadas ao Sindicaju, na safra anterior, foi o que assegurou a manutenção da maioria dos empregos diretos e nos segmentos dependentes, como fornecedores dentre outros. Além do que, diz, "a importação proporcionará às indústrias a manutenção dos clientes existentes em mais de 50 países onde as amêndoas de castanha do Ceará são apreciadas e consumidas".

RendimentoSegundo Evilázio Marques, apesar de a castanha proveniente da África ter tamanho médio um pouco abaixo do nacional, este possui, por sua vez, rendimento de amêndoas por quilo (Kg) de castanhas "in natura" entre 98 a 108 kg por caixa de 50 libras, melhor que o produto nacional, que necessita de 115kg a 125kg para produção de uma caixa do mesmo peso. "Além disso, a castanha africana chega nas indústrias embalada em sacos novos e livre de impurezas, diferentemente da brasileira que chega a ter de 4% a 6% de impurezas representadas por pedras, areia e folhas. E com baixa umidade, podendo ter diferencial de até 6% a 8% com relação ao produto nacional", afirma.

Números do setor
A importância social do caju no Nordeste do Brasil traduz-se pelo número de empregos diretos que gera, dos quais, informa o Sindicaju, mais de 170 mil estão no campo e de 12 a 15 mil na indústria, além de 350 mil empregos indiretos nos dois segmentos. O cajueiro, para o semiárido nordestino, é ainda de suma relevância, pois os empregos do campo são gerados na entressafra das culturas tradicionais como milho, feijão e algodão, reduzindo, assim, o êxodo rural. Ao lado do aspecto econômico, os produtos derivados do caju detêm ainda grande importância alimentar para o produtor rural.
Segundo o IBGE, o Nordeste, com uma área plantada superior a 750 mil hectares, responde por 100% da produção nacional, sendo os estados do Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte e Bahia os principais produtores. O Brasil, que já chegou a ser o segundo maior produtor de castanha do mundo, ficando atrás apenas da Índia, atualmente encontra-se em quarto lugar, perdendo para Índia, Vietnã e Costa do Marfim.

Produção302 mil toneladas de castanha devem ser produzidas no Brasil neste e no próximo ano, mas o número ainda é considerado baixo (Fonte: Diário do Nordeste)