sábado, 26 de fevereiro de 2011

Preço da castanha de caju em Moçambique

Os produtores de cajú no distrito do Gilé, norte da província central da Zambézia (Moçambique), já começam a sorrir  pelo fato de venderem o quilo da castanha ao preço de 35 meticais (um dólar equivale a cerca de 31,5 meticais), que supera de longe o valor de referência, de seis meticais, estabelecidos pelo Governo moçambicano.
Teresa Mauaie, administradora do distrito, diz que, atualmente, regista-se um enorme entusiasmo por parte da população no sentido de incrementar os níveis de produção da castanha de caju, fato que se evidencia pela intensa corrida na aquisição de mudas para o fomento da cultura.
Segundo Mauaie, citada pelo jornal “Diário de Moçambique”, no ano passado a comercialização da castanha de caju atingiu 3.755 toneladas, mas Governo espera alcançar cerca de 4.100 toneladas no fim da presente safra.
O número de beneficiários de mudas subiu de 1.632 registados em 2009, para 3.546 em 2010 e, segundo a administradora, registra-se um interesse crescente pela cultura, razão pela qual o governo decidiu fazer mais investimentos em viveiros, para multiplicar os índices de produção de mudas no distrito.
O distrito de Gilé está apostado em fomentar ainda mais a cultura do caju e, para o efeito, já se encontra em fase de implementação um plano para a produção de 50 mil mudas, das quais foram concretizadas 35.900 e distribuídas aos grandes produtores.
Teresa Mauaie explicou que, em 2009, os níveis de produção desta cultura de rendimento não foram para além de 779 toneladas, com o preço a girar em torno dos cinco a 12 meticais na fase de maior demanda. (AIM)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Biofach 2011: US$ 1,6 milhão em vendas de produtos orgânicos da agricultura familiar

Mais de 190 empresas oriundas de 41 países visitaram o estande dos empreendimentos familiares apoiados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) na Biofach Alemanha 2011. O resultado foi um volume recorde de negócios desde 2003, quando o MDA passou a apoiar a iniciativa.
Na Biofach 2011, as dez cooperativas e associações brasileiras efetivaram US$ 1,6 milhão em vendas de produtos orgânicos e cerca de US$ 5 milhões em negócios a serem firmados.
“Foi uma participação muito qualificada. Além de o volume negociado ter sido maior do que o do ano passado, temos a ponderar que, em 2010, eram 15 empreendimentos participantes”, avalia o diretor de Geração de Renda e Agregação de Valor da Secretaria da Agricultura Familiar (SAF/MDA), Arnoldo de Campos.
Realizada anualmente, em fevereiro, em Nuremberg, a Biofach Alemanha é considerada a maior feira de orgânicos do mundo e se caracteriza como um evento de negócios, no qual não é permitida venda direta de produtos. “Eu saio daqui entendendo melhor o mercado mundial do cacau orgânico”, afirma o assessor técnico da Cooperativa de Produtos Orgânicos da Amazônia (Copoam) do Pará, Jedielcio Oliveira.
Participaram da Biofach 2011 os seguintes empreendimentos: Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc); Cachaçaria Weber Haus (WH); Cooperativa dos Beneficiadores Artesanais de Castanha de Caju do Rio Grande do Norte (Coopercaju); Cooperativa Agropecuária de Produtos Orgânicos da Terra (Cooperterra); Cooperativa de Produtos Orgânicos da Amazônia(Copoam), Central das Cooperativas Apícolas do Semi-Árido Brasileiro (Casa Apis), Cooperativa Regional das Agroindústrias Familiares Ecológicas do Vale do Rio Uruguai(Cooperafe), Cooperativa dos Citricultores Ecológicos do Vale do Cai (Ecocitrus), Cooperativa dos Produtores Rurais Organizados para Ajuda Mútua (Coocaram) e a Associação Brasileira da Agricultura Familiar Orgânica, Agroecológica e Agroextrativista (Abrabio).

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Preços da castanha dobram na Nigéria

Os preços da castanha de caju na Nigéria dobraram nos últimos meses devido às tensões políticas na Costa do Marfim, segundo maior produtor da África. "O preço de uma tonelada de castanha da Nigéria para o mercado internacional subiu de US$ 600 a US$ 1.200 desde novembro", segundo Olatunji Owoeye, presidente da Associação Nacional de Caju da Nigéria.
Além disso, o declínio da produção em países como Vietnã e a alta dos preços dos alimentos no mercado mundial também ajudou a impulsionar os preços da castanha no mercado global- A castanha de caju está entre os principais produtos de exportação não-petrolíferos da Nigéria, grande produtora de petróleo da África, junto com o couro, cacau e borracha. (Bloomberg)

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Certificação dá novas perspectivas a produtores de castanha em Assu

Depois de conquistar a certificação em Comércio Justo e Solidário, o assentamento Novo Pingos, situado em Assu (RN), prepara-se para comercializar castanha de caju com compradores europeus.
Annapaula Freire e Cleonildo Mello
A cooperação e a determinação de uma comunidade em modificar os pilares em que se baseava o processo produtivo da castanha de caju levaram o assentamento Novo Pingos a conquistar um título capaz de revolucionar a qualidade de vida do lugar. Apoiado pelo Sebrae/RN, o assentamento, localizado no município de Assu (distante 210 quilômetros de Natal), ganhou no dia 28 de dezembro a certificação em Comércio Justo para a castanha, concedida pela Fairtrade Labelling Organizations (Flo-Cert) – Certification for Development (Certificação para o Desenvolvimento, em português), uma entidade certificadora alemã.
Esse selo dá novas perspectivas aos produtores do assentamento, que dependem essencialmente da agricultura familiar, já que o mercado – sobretudo internacional – tem interesse em comprar produtos certificados. A castanha de caju normalmente já é apreciada dentro e fora do Brasil e a certificação vai ajudar a conquistar novos compradores estrangeiros, que exigem boas práticas agrícolas e nas relações de trabalho. Como seu próprio nome diz, o Comércio Justo (do inglês Fair Trade) se baseia em relações mais justas do ponto de vista dos negócios. Um dos pontos favoráveis é a bonificação oferecida para cada quilo vendido. O bônus precisa ser revertido em benefício da comunidade.
“O Sebrae tem um papel importante nesse processo ao preparar a comunidade para a certificação, disponibilizando cursos de capacitação e técnicas para elaboração do plano ambiental. Além disso, é a ponte para que os produtores tenham acesso ao mercado comprador de artigos certificados em comércio justo”, enfatiza o gestor do projeto de Cajucultura do Sebrae-RN, Lecy Carlos Gadêlha.
Para conquistar a certificação, a população da localidade, que fica a pouco mais de 25 quilômetros da sede do município, realizou cursos de capacitação e participou de projetos de incentivo ao segmento, promovidos pelo Sebrae-RN. O processo de auditoria e análise da produção começou no início de 2010 com a visita de uma empresa paranaense, que representava o selo alemão. Foram observados critérios minuciosos de organização e de produção.
O assentamento produz a amêndoa obtida numa área de 140 hectares de plantio de caju. Com o selo de Fair Trade, a castanha produzida em Novo Pingos poderá alcançar novos mercados, principalmente na Europa.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

MDA investirá R$ 60 milhões em reordenamento agrário no Piauí

O Ministério do Desenvolvimento Agrário investirá R$ 60 milhões em reordenamento agrário do Piauí em 2011. O secretário nacional de Reordenamento Agrário do MDA, Adhemar Lopes se reuniu nesta terça, dia 15, com o governador Wilson Martins. O investimento será feito através do Programa Nacional de Crédito Fundiário (FNCF) e de Consolidação da Agricultura Familiar (CAF). O Piauí é o Estado com maior número de famílias beneficiadas no país.
No Piauí, 15 mil famílias, em 172 municípios, já foram beneficiadas por financiamentos feitos através do Crédito Fundiário e do CAF. Essas famílias trabalham hoje especialmente com cajucultura, apicultura e ovinocaprinocultura.  Do total de R$ 300 milhões investidos até o momento em reordenamento agrário no Estado, R$ 150 milhões são não reembolsáveis.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Conab antecipa propostas de preços mínimos

A Conab está antecipando a elaboração dos estudos de preços mínimos de produtos da safra de inverno e regionais, como trigo, aveia, centeio, girassol, guaraná, castanha de caju, café  e outros.  A intenção é fechar as propostas dos preços mínimos até o fim deste mês.
O objetivo do trabalho é atender orientações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) de antecipação do lançamento do Plano Safra 2011/2012 para o primeiro semestre deste ano.
Para desenvolver o trabalho, os técnicos da Superintendência de Gestão da Oferta (Sugof) levam em consideração aspectos relacionados à conjuntura do mercado interno e externo, a oferta e demanda nacional e mundial, a evolução dos preços e os custos de produção, além da paridade de importação e exportação.
Segundo o superintendente da Sugof, Carlos Eduardo Tavares, o cenário atual do comportamento do mercado sofre  influência de fatores externos e internos, tais como o clima, com secas prolongadas e invernos rigorosos, a crescente demanda puxada principalmente pela China e especulações observadas nas bolsas de commodities mundiais.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Agricultor familiar recebe bônus do Programa de Garantia de Preços para 20 produtos

Os agricultores familiares que cultivam 20 tipos de produtos poderão obter, neste mês, bônus do Programa de Garantia de Preços para financiamento da produção.
As culturas que serão atendidas são :açaí (fruto), arroz longo fino em casca, babaçu (amêndoa), banana, borracha natural (extrativista) - bioma amazônia, borracha natural (heveicultura), cará/inhame, castanha de caju, cebola, feijão, leite, mamona, pequi (fruto), piaçava (fibra), sisal, sorgo, tomate, trigo, triticale e umbu (fruto).
A portaria do Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar (PGPAF) foi publicada nesta segunda-feira (14), no Diário Oficial da União (DOU).
Os preços de mercado e o bônus de desconto referem-se ao mês de janeiro de 2011 e têm validade para o período de 10 de fevereiro a 09 de março de 2011.
O produto com maior bônus este mês é a borracha natural – bioma amazônia (65,71%) no estado do Maranhão.
As plantações cultivadas em maior número de estados que contam com o bônus é o feijão e a borracha natural (7 estados). Para o feijão, o maior bônus é no estado do Paraná (PR), com 17,71%.

Como funciona o programa

O PGPAF permite que o agricultor familiar pague os financiamentos de custeio e investimento com um bônus (desconto), que corresponde a diferença entre os preços garantidores e o preço de mercado, nos casos em que o valor do produto financiado esteja abaixo do preço de garantia.
Atualmente, o programa abrange: abacaxi, açaí (fruto), algodão em caroço, alho, amendoim, arroz longo fino em casca, babaçu (amêndoa), banana, baru (fruto), borracha natural cultivada (heveicultura), borracha natural extrativa, café, cana-de-açúcar, cará, carne de caprino, carne de ovino, castanha de caju, castanha do Brasil (em casca), cebola, feijão, girassol, inhame, juta, leite, maçã, malva, mamona em baga, mangaba (fruto), milho, pequi (fruto), piaçava (fibra), pimenta do reino, carnaúba, pó cerífero de carnaúba e cera de carnaúba, raiz de mandioca, sisal, soja, sorgo, tomate, trigo, triticale, umbu (fruto) e uva.

Cálculo do PGPAF

O bônus do PGPAF é calculado mensalmente pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A Conab faz um levantamento nas principais praças de comercialização dos produtos da agricultura familiar e que integram o PGPAF.
Os bônus das operações de custeio e investimento ficam limitados a R$ 5 mil anuais por beneficiário do crédito rural.
Nas operações de investimento do Pronaf, o bônus pode ser concedido bastando que um único produto incluído no PGPAF seja gerador de 35%, ou mais, da renda estimada pelo agricultor para o pagamento do financiamento.(Ministério do Desenvolvimento Agrário)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Mudas de cajueiro anão precoce

A Prefeitura de Geminiano (PI) está distribuindo junto aos agricultores das diversas regiões do município 70 mil mudas de caju anão precoce. A ação vem sido praticada desde 2005, dentro do projeto de fortalecimento da agricultura no município e visa melhorar as condições de vida dos agricultores de Geminiano.
Para receber as mudas, o pequeno produtor rural deve estar cadastrado na Secretaria Municipal de Agricultura. A distribuição das 70 mil mudas teve início essa semana, prosseguindo até meados da próxima.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Crescimento dos orgânicos

De acordo com pesquisa realizada pela ONG Organics Brasil, que reúne empresas exportadoras de produtos orgânicos, as vendas do setor no Brasil alcançaram R$ 350 milhões em 2010. O valor é 40% superior ao registrado em 2009. No Rio Grande do Norte, a produção embora voltada para o consumo interno, registrou aumento de quase 400% de área cultivada no mesmo período, segundo dados da Superintendência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) no Estado. Entre as principais culturas se destacam a castanha de caju, a cana de açúcar e o abacaxi, produzidas organicamente por empresas de grande porte, e o setor de hortaliças e leguminosas, tocadas pelo trabalhador rural, organizados em associações. O Ministério não tem contabilizado o volume produzido .

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Governo indica áreas para plantio do cajueiro

Orientações para o plantio do cajueiro nos nove estados da região Nordeste estão disponíveis no Zoneamento de Risco Climático publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira (11). O estudo do Ministério da Agricultura indica os municípios aptos ao plantio desta espécie, tipos de solo, condições climáticas e períodos mais apropriados para as lavouras, e as variedades adequadas para cada estado.

A cultura do cajueiro (Anacardium occidentale L.) vem assumindo papel relevante na economia nordestina, em decorrência do aumento da demanda pela castanha. O desenvolvimento dessa planta tropical está bem adaptado às condições do litoral nordestino. As temperaturas favoráveis oscilam de 22ºC e 32ºC. A cultura necessita de luminosidade, precipitação acima de 1.200 mm/ano, com três a quatro meses de estiagem, no máximo, e altitudes inferiores a 600 metros. É uma planta de alta rusticidade, porém não prospera em solos rasos e muito argilosos, desenvolvendo-se bem em terras profundas, férteis e arenoargilosas.

Acesse mais informações sobre o zoneamento do cajueiro no Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Piauí, Maranhão e Ceará, nas Portarias Nº 35 a 43, no link http://bit.ly/i1hglr

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Preço da amêndoa aumenta em Natal

Os lojistas do mais tradicional bairro de comércio de Natal ressaltam que a castanha de caju e a farinha de mandioca, vêm apresentando um aumento crescente no preço desde meados do ano passado. De acordo com o proprietário de uma loja de estivas e cereais, José de Góis Júnior, a mais recente safra de castanha foi muito pequena no Rio Grande do Norte. Para ele, as pessoas estão achando o preço caro hoje, mas a realidade é que o valor cobrado deverá subir ainda mais daqui para a frente, uma vez que há a possibilidade de a castanha chegar a faltar no mercado natalense. “Tenho notícia de armazém que está estocando bastante, pensando nos próximos meses”, diz.
O comerciante conta que até setembro do ano passado, comprava o quilo da castanha por R$ 8 e vendia por R$ 10, enquanto hoje está comprando o mesmo volume do produto por R$ 15 e vendendo por R$ 17.
Confirmando a percepção de José de Góis Júnior, o vendedor de outra loja do mesmo ramo, Severino de Oliveira, lembra que o quilo da castanha in natura era comercializado no estabelecimento em que trabalha por R$ 14, em meados de 2010. Atualmente, o produto chega a ser vendido por valores entre R$ 20 e R$ 25. “Agora está ameaçando faltar e dizem que a tendência é o preço aumentar ainda mais”, afirma.(Tribuna do Norte)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Distribuição de mudas de cajueiro no RN

A secretaria Estadual de Agricultura do Rio Grande do Norte vai começar a distribuição de sementes para os agricultores familiares a partir deste sábado. O programa Banco de Sementes Safra 2011 será lançado em Pau dos Ferros e, na primeira fase, serão entregues sementes de milho, feijão, sorgo e algodão a 18.300 agricultores atendidos pelos escritórios da Emater localizados nos municípios de Pau dos Ferros, Umarizal, Mossoró e Assu. Além das sementes, os agricultores inscritos no programa Banco de Sementes vão receber, no início de março, mudas de cajueiro anão. Neste caso, será observado se o local onde o agricultor planta tem aptidão para o cajueiro.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Vietnã investe na cajucultura moçambicana

Um grupo empresarial do Vietnã poderá iniciar no decorrer deste ano a produção da castanha em Moçambique. A ideia é que, além de produzir, a companhia também se envolva em toda a cadeia de processamento da amêndoa, de forma a agregar maior valor ao produto.
Para a concretização desta iniciativa acaba de ser assinado em Maputo um memorando de entendimento entre o Governo e o grupo da Barrocha, uma entidade financeira do Vietnã.
O Instituto de Fomento do Caju (INCAJU) considera que a entrada dos vietnamitas na produção do caju em Moçambique pode constituir um passo importante para o país, dada a longa experiência acumulada pelos asiáticos na produção e expansão no cultivo do caju.
O Vietname é, neste momento, o segundo maior produtor e processador mundial de castanha de caju, logo após a Índia.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Projeto visa reduzir perdas na safra da castanha no RN

O baixo índice pluviométrico registrado no primeiro semestre do ano nas principais regiões produtoras de caju teve reflexos negativos para a safra 2010/2011. Entre os meses de setembro de 2009 e janeiro de 2010, o Rio Grande do Norte chegou a produzir 43 mil toneladas da amêndoa, enquanto, nesta safra, as estimativas indicam que a produção deve ficar entre 12 mil e 15 mil toneladas. Uma redução quecompromete a comercialização e a exportação da castanha de caju. Os dados são da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte.
"Infelizmente, essa é uma realidade constatada em praticamente todos os estados nordestinos devido à falta de chuvas no primeiro semestre do ano passado", diz o gestor do projeto de Cajucultura do Sebrae-RN, Lecy Carlos Gadêlha. Segundo ele, para garantir uma boa safra, o cajueiro necessita de pelo menos 700 milímetros de chuva, no entanto, o período chuvoso no RN não ultrapassou a marca dos 300 milímetros.
Apesar de não ter como reverter as intempéries do clima no semiárido nordestino, o Sebrae-RN procura alternativas para minimizar os efeitos da estiagem e garantir a competitividade da castanha. Uma delas é o projeto de revitalização de pomares, que visa aumentar a produtividade das áreas de cultivo, retirando cajueiros pouco produtivos e substituindo-os por mudar com melhoramento genético. Isso pode refletir positivamente na próxima safra. Desenvolvido em parceria com a Fundação Banco do Brasil, o projeto atender a produtores dos municípios de Apodi, Assu, Campo Grande, Caraúbas, Macaíba, Portalegre, Pureza, Severiano Melo, Touros e Vera Cruz. "Essa atuação nas comunidades assistidas pelo Sebrae capacita os produtores a fazer o manejo dos seus pomares e prepararem as mudas. Com isso, teremos um impacto menor na próxima safra caso venhamos a ter um período de escassez de chuvas até até julho", especula Lecy Gadêlha.
Outra saída seria diversificar as áreas produtoras, pois o Rio Grande do Norte só explora 40% do potencial comercial. "Temos 60% do nosso potencial que ainda precisa ser explorado. Infelizmente, os pequenos cajucultores não beneficiam a castanha e repassam direto às grandes empresas exportadoras", ressalta Gadêlha. Ele se refere às empresas Usibras (Mossoró), Aficel (Mossoró) e Olam Brasil (São Paulo do Potengi), que compram praticamente toda a produção dos pequenos agricultores, beneficiam a castanha e comercializam a amêndoa no exterior. Na visão do gestor, outro desafio do Sebrae é inserir o  pequeno produtor de castanha no mercado, já que sozinho não tem capacidade produtiva de atender a grandes pedidos.
A estratégia do Sebrae e parceiros é incentivar as vendas em conjunto, através de associações e cooperativas. Atualmente, o Estado já conta com duas cooperativas e oito associações de produtores de castanha. A produção é beneficiada em 10 minifábricas e as amêndoas são enviadas com marca própria para lojas do grupo WalMart e, em grosso, para empresas do Sul e Sudeste. As regiões Oeste, Alto Oeste e Zona da Mata são responsáveis por 80% da produção de castanha do Rio Grande do Norte e Serra do Mel, município localizado a 320 quilômetros de Natal, é o maior produtor do Estado.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Entraves da cajucultura no Ceará

Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Beneficiamento de Castanha de Caju e Amêndoas Vegetais do Estado do Ceará (Sindicaju), Lúcio Carneiro, os maiores entraves enfrentados no momento pela cajucultura no Ceará, considerando o cenário macroeconômico, são o câmbio, o sistema de tributação e a política salarial vigente. “Esses componentes apontam para a situação triste na qual se encontram as indústrias beneficiadoras. Temos um custo alto na área do processamento da matéria-prima e uma conjuntura contrária ao segmento. Necessitamos de desoneração fiscal e das reformas previdenciária e trabalhista, que não saem”, ressalta Lúcio Carneiro.
No contexto da economia local, o empresário diz que o setor enfrenta outros graves problemas, como carência de investimento em inovação tecnológica, falta de verba e realização de diagnósticos paliativos. “A área onde é viável a substituição de copas dos cajueiros não ultrapassa 30% do total de hectares plantados. Isso não resolve o problema dos nossos pomares. Mas, mesmo assim, a promessa de verba para esse projeto é tão tímida que levaríamos cem anos para substituir todas as copas”, ressalta Lúcio Carneiro, que enxerga a redenção da cajucultura a partir da implantação de novas tecnologias, a exemplo do plantio de mudas de cajueiro anão precoce. “Mas será que haverá verba para isso? Existem efetivamente interessados em investir na cultura do caju, diante de tantos pontos contrários?”, questiona.
O presidente do Sindicaju afirma que para o setor industrial, a curto prazo, só existem duas alternativas: ou o governo federal permite a importação de matéria-prima em pequeno espaço de tempo, gerando uma oferta permanente e em grande quantidade para suprir a capacidade do parque, ou efetiva a Zona de Processamento de Exportação (ZPE), reservando nela uma área para plantas de empresas beneficiadoras de castanha de caju que quiserem se transferir para o local. Tais iniciativas devem estar associadas ao apoio aos produtores para implementar novas tecnologias. A médio prazo, Lúcio Carneiro defende o reforço do plantio nacional, com ajuda aos microprodutores.