domingo, 30 de janeiro de 2011

A árvore que dá dólares

Reproduzimos abaixo artigo de Tomislav R. Femenick, economista e historiador, publicado neste domingo no Jornal Tribuna do Norte, de Natal.
" Em um dos seus livros, o historiador Raimundo Nonato fala do espírito empreendedor de José Rodrigues de Lima e de sua capacidade de descobrir o valor potencial de certas atividades produtivas. José Rodrigues de Lima era meu avô e me lembrei dessa sua característica quando escrevi sobre as exportações do Rio Grande do Norte referentes a 2010, ano em que, repetindo-se, as vendas de castanha de caju para o exterior ocuparam o primeiro lugar sendo, portanto, um grande gerador de salários para trabalhadores rurais e lucros para agricultores e industriais do setor.
Certa vez, quando eu era criança (faz tempo, e ponha tempo nisso) estávamos alguns de seus netos (éramos quase sessenta) jogando gude, porém substituíamos as bolinhas de vidro por castanha de caju. O meu avô que observava a brincadeira, nos disse que nós estávamos brincando com uma fortuna, pois no futuro a castanha iria valer muito dinheiro. É claro que ninguém prestou atenção naquela “conversa de velho”. Hoje a castanha de caju é o principal produto de exportação do Ceará e do Rio Grande do Norte. Em 2010 saíram pelos pontos de embarques de Ceará US$ 132,17 milhões e pelos nossos US$ 45,9 milhões. Mesmo a crise que abalou a economia internacional não afetou o consumo de castanha de caju nos Estados Unidos e na Europa, que registraram aumento de 8% e 5%, respectivamente. Nos mercados da Índia, China e do Oriente Médio o crescimento foi maior; atingiu dois dígitos.
 Muito conhecida pelo consumo humano, principalmente como tira-gosto de bebidas alcoólicas e na culinária nordestina, a castanha de caju é rica em fibras, proteínas, minerais, vitaminas e, mais notadamente, carboidratos, cálcio, fósforo, sódio e aminoácidos. Por essas e outras qualidades, o chamado LCC (Líquido da Castanha de Caju) é usado nas indústrias farmacêutica, de isolantes elétricos, tinta, equipamentos automotivos, combustíveis, lubrificantes, detergentes, inseticidas, fungicidas, resinas, plásticos, impermeabilizantes, aglomerados e compensados.
 O cajueiro é uma árvore natural do Brasil e, diferentemente do que muita gente pensa, o fruto verdadeiro é a castanha; a parte carnosa é apenas a haste que sustenta o fruto. Na língua tupi, caju, “acajú” ou “acaiu” tanto significa “noz” como “ano”. Câmara Cascudo dizia que “o cajueiro é elemento popular da marcação do tempo. Segundo o calendário dos tupis, acajú também significava ano, coincidindo com o ciclo de frutificação do cajueiro. Portanto, em cada ano, guardavam uma castanha da fruta em uma cabaça, sabendo assim a quantidade de anos já vividos. Daí veio a sinonímia popular para caju: ano”.
Alfredo de Carvalho, na obra Frases e palavras: problemas histórico-etimológicos (1906), escreveu que: “O calendário dos tupis, os mais progressivos dos nossos aborígenes, era, como o de todos os povos primitivos, pouco complicado, e a sua divisão do tempo extremamente simples; além do dia (ára, isto é, claridade, luz), distinguiam os meses pelas lunações (yacy, significando igualmente lua e mês). Para a contagem dos anos serviam-se das florações dos cajueiros [...]. Daí na tradução oral acayu ou aca-iu refere-se a ano, uma vez que os indígenas contavam a idade a cada floração e safra”. Por sua vez Pereira da Costa, em Vocabulário Pernambucano (Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Pernambuco, v. XXXIV, 1937), afirmou que a colheita dos cajus “era para os índios a suspirada estação da fartura de víveres e da abundância, dos prazeres, das festas e das orgias prolongadas, e de uma embriaguez constante produzida pelo cauim. Aca-ju-im, o vinho de caju”.
No século XVI, os portugueses levaram o cajueiro, seu fruto e sua haste do Brasil para suas colônias na Ásia e na África, espalhando-o pelo mundo. Hoje o maior produtor de castanha de caju é o Vietnã (941,6 mil toneladas), seguido da Nigéria (636), Índia (573), Brasil (236,14) e Indonésia (122). Note-se que nosso país está em quarto lugar.
Como fator econômico a cultura do caju é de relevante importância para o nosso Estado. Além de possuir o maior cajueiro do mundo (fonte de renda do turismo receptivo), conforme dados do IBGE para 2009 o Rio Grande do Norte teve a segunda maior quantidade produzida (48.918 toneladas) e também o segundo maior valor da produção (R$ 47.869.000), embora tivesse a terceira colocação em área plantada e em área colhida – fato explicado pelo melhor rendimento; 386 quilos por hectare, superior ao do Ceará.
A mais antiga descrição escrita do cajueiro data de 1558, feita pelo frade franciscano, explorador, cosmólogo e escritor francês André Thevet, quando este veio ao Brasil integrando uma comitiva em visita a uma das tentativas francesas de fundar colônia na América do Sul. Ainda tenho em minha estante o exemplar do livro de André Thevet Singularidades da França Antarctica, que pertencia ao eu avô"

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Mosca branca ataca cajueiros da Serra do Mel (RN)

A praga já é conhecida de longa data do agricultor da Serra do Mel, mas nos últimos dois anos ela se alastrou com força pelos cajueiros. O motivo o longo período de estiagem que afetou praticamente todo o ano de 2010 no interior potiguar. No vegetal, a mosca branca fica alojada na parte de baixo da folha, onde se reproduz.
– A mosca branca que está no melão, na melancia é a mesma que está no tomate, no pimentão e várias outras culturas. Essa que está no cajueiro é diferente, é uma outra espécia, ela está mais restrita realmente a cultura do cajueiro - explica o entomologista e professor da UFERSA, Elton Araújo .
No município, que é o maior produtor estadual de castanha de caju, a praga já comprometeu cerca de 5 dos 30 mil hectares de área plantada. Hoje os produtores tentam controlar a mosca branca através de alguns defensivos, mas a rapidez da infestação é maior. A praga é minúscula e se move facilmente de um cajueiro para outro com a ajuda do vento.
A mosca branca provoca alterações no crescimento vegetativo e reprodutivo da planta, reduzindo assim a quantidade e a qualidade dos frutos. A produção em muitos cajueiros infestados chega a ficar totalmente comprometida .Esse aqui foi infestado a cerca de cinco meses, e o resultado é esse manchas ao redor de todo o caule. Aqui só a chuva pode salvar o vegetal.
– Com a força da água, a mosca branca cai no chão e água elimina ela enterando no arisco. Porque ela fica debaixo da folha , então a gente pulveriza mas o veneno não consegue atingir a folha diretamente - esclarece Aluízio Azevedo, produtor.
De acordo com o entomologista, a chuva pode ajudar mas não é garantia de solução definitiva para o problema.
– Essas pragas que tem dimensões menores. A chuva que para gente uma gota de chuva não representa muita coisa, ela tem um impacto físico muito forte sobre essas pregas menores. Então há uma tendência nas épocas de chuvas essas pragas menores, elas diminuírem bastante, por causa desse controle físico, podemos dizer assim - finaliza Elton Araújo – entomologista e professor da UFERSA. (In360)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Produtores vão este ano tratar 4,5 milhões de cajueiros em Moçambique

Cerca de 4,5 milhões de cajueiros serão tratados em Moçambique este ano, a fim de torná-los mais produtivos, segundo o Instituto Nacional do Caju (Incaju). Na província de Nampula,  maior produtora nacional de caju, serão tratados 2,2 milhões de plantas, seguindo-se a província de Cabo Delgado com 1,5 milhões de cajueiros e a Zambézia com duzentos mil.
Moçambique prevê produzir nesta safra agrícola 95 mil toneladas de castanha de caju, o que representa uma quebra de 1550 toneladas comparativamente com a safra anterior. Ate a década de 60 do século passado, Moçambique produzia metade da castanha de caju em nível mundial com a produção atingindo o pico nas vésperas da independência com cifras de 200 mil toneladas por ano. Em 1972, a produção alcançou o seu ponto mais alto com a comercialização de 216 mil toneladas, sendo então Moçambique o maior exportador mundial. (Macauhub)

sábado, 22 de janeiro de 2011

Crescimento da cajucultura em Gâmbia

Por ter um porto muito eficiente e uma localização geográfica ideal, Gâmbia (pequeno país africano) está se tornando um centro natural para o comércio da região. A safra de caju da Gâmbia foi de aproximadamente 8 mil a 10 mil TM em 2010, mas a quantidade de castanhas de caju in natura enviada a partir de Banjul neste ano atingiu 67 mil TM. A infraestrutura e a localização não são as únicas vantagens para o setor do caju na Gâmbia. A qualidade da castanha – entre as melhores da África Ocidental – e o bom rendimento por planta também estão acelerando o desenvolvimento da produção e do processamento.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Conferência da African cashew Alliance

Será em Banjul, Gambia, de 19 a 22  de setembro de 2011, a Sexta Conferência Anual da African Cashew Alliance (ACA).        

Consumo de ACC na Ásia

O crescimento do consumo de ACC nos mercados asiáticos está contribuindo para que a Ásia seja um fator decisivo sobre os preços do produto. A Índia continua como o maior consumidor de castanha de caju , embora o crescimento nos países asiáticos venha ocorrendo com maior rapidez que o consumo nos mercados tradicionais.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Cresce consumo de ACC

Haiva temores de que o consumo de amêndoa de castanha de caju e outros frutos secos seriam atingidos pela recessão global, mas não foi assim. Houve um crescimento razoável na Europa e EUA, que cresceu de 5-8%. Os mercados da Índia, China e do Oriente Médio registraram crescimento de dois dígitos. A Ásia, China e os mercados da Ásia Ocidental são os novos motores de crescimento do consumo desta noz.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Copa de 2014 terá produtos da sociobiodiversidade

A iniciativa - parceria entre os ministérios do Meio Ambiente (MMA), Desenvolvimento Agrário, Agricultura e o Sebrae - faz parte do Programa Copa Orgânica, que vai promover o acesso da produção de pequenos empreendedores, quilombolas, povos tradicionais e indígenas ao mercado.
Os empreendimentos foram selecionados por edital, como parte do Projeto Talentos do Brasil Rural, do Sebrae, e enviados ao MMA. O resultado final da seleção está previsto para fevereiro. Dos 125 projetos selecionados, 46 envolvem produções extrativistas e vão compor a cesta das chamadas amenities: produtos de uso pessoal, na maioria miniaturas, como artesanatos, essências e sabonetes, oferecidos aos hóspedes ou comercializados na rede hoteleira.
Os empreendimentos receberão assistência técnica, capacitação e apoio dos Órgãos envolvidos para tornarem-se mais atrativos e competitivos. Os recursos destinados não implicam repasse direto e serão proporcionais ao porte das iniciativas.
Na área de alimentos e bebidas, os empreendimentos pré-selecionados trabalham com produtos como mel, babaçu, castanha de caju, castanha do brasil, baru, pequi, guaraná, pinhão, erva mate, queijos, leite, cachaça, vinhos, variados tipos de geléias, sucos e polpas da biodiversidade brasileira.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Chineses avaliam oportunidades de negócio com castanha na Guiné-Bissau

Um grupo de empresários chineses estará até o próximo dia 21 na Guiné-Bissau para identificar oportunidades de investimento no país, A missão dos empresários tem por objetivo “identificar oportunidades de investimento nos setores da agricultura, pesca, energia e indústria, especialmente na área de processamento da castanha de caju”. A castanha de caju é o principal produto de exportação da Guiné-Bissau.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Castanha é o principal produto

O principal produto vendido ao mercado externo por Fortaleza é a castanha de caju, a qual corresponde a quase 50% do que foi exportado para o exterior em 2010. Entre janeiro e dezembro, saíram da Capital US$ 132,17 milhões do fruto, montante levemente superior ao exportado em 2009 (US$ 131,62 milhões). DN.

RN distribui mudas de cajueiro

No início de 2010, cerca de 90% das sementes entregues aos pequenos produtores cadastrados no programa Banco de Sementes do Governo do Rio Grande do Norte, não produziram devido a seca que castigou o  estado. Para 2011, com a previsão da antecipação das chuvasr, segundo a Emparn, a Secretaria Estadual de Agricultura pretende iniciar a distribuição de 339 toneladas de sementes no início de fevereiro. Um incremento de 119 toneladas em relação ao ano passado. Atualmente, cerca de 32 mil pequenos produtores estão cadastrados na Secretaria de Agricultura, superando o índice de cadastros de 2010.
Dentre as 339 toneladas de sementes previstas para este ano, serão entregues: 55 toneladas de sementess de algodão, 123 de milho, 93 de sorgo, 123 de feijão e 75 mil mudas de cajueiro anão precoce.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Castanha lidera pauta de exportações no RN

A castanha de caju liderou a pauta do Rio Grande do Norte em 2010, totalizando US$ 45,9 milhões (R$ 76,6 milhões) em comercializações. Em segundo lugar ficou o melão, com US$ 45,7 milhões (R$ 76,3 milhões) exportados, seguido pelos açúcares, com US$ 21 milhões (R$ 35 milhões), bananas, com US$ 17 milhões (R$ 28 milhões) e sal marinho, com a venda de US$ 14 milhões (R$ 23 milhões) para o exterior.
Entre os cinco produtos que lideraram a pauta de exportação do estado, houve incremento na comercialização da castanha de caju, açúcares e bananas, cujos aumentos foram de 9,72%, 33% e 26%, respectivamente, em relação a 2009.

Costa do Marfim

Independente da crise, as rodas do comércio continuam girando na Costa do Marfim, onde as empresas indianas estão deixando sua marca em locais estratégicos. Apesar de mais de oito anos de instabilidade no norte do país, a Olam tem agora uma segunda usina de processamento de castanha de caju em Bouaké.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Exportação de ACC

O Ceará exportou em 2010 US$ FOB 182.0157,01 referente à castanha de caju (ACC). Este valor representou uma variação negativa de 2,68% em relação a 2009. O item situa-se em segundo lugar na pauta de exportações, perdendo para o item calçados. Os dados são da SECEX/MDIC e ADECE.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Safra de castanha terá quebra recorde no RN

A produção de castanha de caju poderá encolher mais de 40% na safra 2010/2011, no Rio Grande do Norte, pressionada por um tripé que inclui envelhecimento dos pomares, ventos fortes e escassez de chuvas no período de floração. O cenário de adversidades é apontado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e traz consequências práticas a pequenos produtores e a grandes indústrias que beneficiam e exportam o produto, mas não se limita ao RN. “Houve uma quebra nacional em torno de 51% em relação à safra 2009/2010”, diz o chefe geral da Embrapa Agroindústria Tropical, Vitor Hugo de Oliveira. Um levantamento divulgado por ele, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, indica que estados como Piauí e Ceará amargaram prejuízos maiores que o do RN.
O Rio Grande do Norte, o Ceará e o Piauí concentram em torno de 90% da produção de castanha do Brasil e as perdas sofridas por eles deverão significar para o país uma das maiores quebras de safra dos últimos 20 anos. Um dos fatores preponderantes para isso foi a irregularidade das chuvas ao longo de 2010. Outro estímulo à queda da produção tem sido a idade avançada dos pomares.
A Embrapa estima que, no país, 750 mil hectares plantados com o fruto sejam colhidos anualmente. “O que acontece é que os pomares são constituídos por plantas com idade entre 35 e 40 anos. São plantas com idade avançada e isso aliado a um manejo inadequado [o que inclui adubação, correção do solo, controle de pragas e doenças] tem como resultado a baixa produção”, frisa Oliveira.

Prejuízos
O Rio Grande do Norte detém hoje 120 mil hectares plantados com cajueiros, de acordo com informações do Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural do RN (Emater). Em Serra do Mel, município com a maior área plantada – 30 mil hectares – a perda de produção chegou a 70% e significou prejuízos para os pequenos produtores. Para se ter ideia da situação, apenas 90 das 200 unidades familiares de beneficiamento de castanha funcionaram durante a safra, diz o assessor regional de culturas da região de Mossoró, pela Emater, José Roberval de Lima. “A situação foi calamitosa. No município também há duas cooperativas de produtores artesanais e elas estão com dificuldades para cumprir contratos externos porque não têm castanha”, observa ele.
Mas não foram só os pequenos que sofreram. “Chegamos a dar férias coletivas de um mês [em novembro], na unidade de Mossoró, porque faltou castanha para processar”, diz a gerente de exportação da Usibras, a maior exportadora de castanhas do Rio Grande do Norte, Cinthya Lima Assis. A empresa, que detém unidades de beneficiamento de castanha também no Ceará e nos Estados Unidos, abastece as fábricas brasileiras com castanha comprada principalmente no Rio Grande do Norte, no Piauí e no Ceará. Para não parar a produção, uma das saídas foi a formação de estoque suficiente para atender a demanda até o mês de abril.
O caminho da importação, que já havia sido trilhado pela empresa em 2008, quando também foi registrada quebra de safra, só que numa proporção menor a que se tem hoje, também deverá ser seguido. Cinthya explica que, em 2008, houve dificuldades para desembaraçar a mercadoria no país e a carga acabou voltando para o fornecedor. Agora, a Usibras formou um “pool” com outras duas empresas para trazer mais uma vez castanha de fora. O produto deverá ser trazido de Gana, com a chegada da primeira remessa prevista para este mês.
“É um este que estamos fazendo e se vingar vamos começar a exportar quantidades maiores em março. Isso, porque além da quebra da safra, o preço da matéria-prima está super elevado no Brasil. O quilo está custando em média, aproximadamente, R$ 2,10, 2,15. No ano passado, a média era R$ 1, aproximadamente. Mais que duplicou. Comprando lá fora, o preço deverá ser inferior”, diz.

Recuperação não deve ser total em 2011
Se o período de chuvas for regular este ano a expectativa é que o quadro de perdas não se repita na safra 2011/2012. Mesmo que o clima contribua, porém, a não deverá haver uma completa recuperação da produção, por causa do envelhecimento dos pomares. “Essa é uma questão que preocupa”, ressalta Vitor Hugo de Oliveira, da Embrapa. “Entendemos como primordial uma política de renovação dos pomares com destaque nos estados do Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, que respondem pela maior parte da produção”, diz ele, observando que essa política deveria ser associada a outras ações voltadas para a cajucultura, o que inclui oferta de crédito e de assistências técnica tendo como foco a renovação das plantações.
A introdução de variedades mais produtivas no cultivo é pontada como uma solução para o problema. A Embrapa afirma dispor de mais de 10 varieades, que produzem cinco vezes mais em relação às variedades atualmente cultivadas e que são adequadas às condições da região Nordeste. “Se depender única e exclusivamente de iniciativas individuais dos produtores vai-se levar muitos anos para que os pomares sejam renovados”, observa ainda o chefe geral da Embrapa Agroindústria Tropical.O período de safra do caju varia de acordo com o estado, mas normalmente se concentra no segundo semestre do ano, podendo se estende, dependendo do período chuvoso, até o mês de janeiro, segundo a Embrapa. (Renata Moura - repórter - Tribuna do Norte)

Caju de mesa

Veja no site Cajucultura os preços atualizados de venda do caju de mesa no atacado praticados em algumas Centrais de Abastecimento do país, na semana de  3 a 7/1/2011.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Vietnã lidera exportações mundiais de ACC pelo quarto ano

Com um valor de exportação de US$ 1,14 bilhões em 2010 e um volume de exportações de ACC (amêndoa de castanha de caju) de 196.000 toneladas, o Vietnã continua a liderar o ranking mundial dos países exportadores desse produto pelo quarto ano consecutivo. Os números representam um aumento anual de 10,8% em volume e 13,4% em valor, de acordo com o Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural vietnamita.

As amêndoas vietnamitas atingem hoje 52 países e territórios em todo o mundo. Os EUA, a China e a União Européia ainda permanecem como os maiores importadores do país, com uma quota de mercado de 35%, 20% e 25%, respectivamente.  Para 2011 o Vietnã pretende faturar US $ 1,5 bilhão de exportações de ACC, um aumento de 32% em relação a 2010. Os principais obstáculos são a escassez de matéria prima, operários e os elevados custos de processamento. 
O país tem de importar anualmente cerca de 250 mil toneladas de castanha de caju in natura. Sua produção total de cerca de 350 mil toneladas só pode atender 60% da demanda de processadores . Para alcançar o desenvolvimento sustentável, o setor do caju definiu uma meta para manter a área de cultivo em 315.000-350,000 ha em 2020, com foco na região Sudeste, o Planalto Central e na região central do litoral sul daquele país. O setor também traçou planos para explorar uma área de plantio de 600.000 ha em conjunto com o Camboja e o Laos, em 2020.

A indústria trabalha para aumentar a produtividade do cajueiro para 1,2-1,4 toneladas por hectare em 2020 (atualmente o rendimento é de 1 tonelada por hectare). - VNS

sábado, 8 de janeiro de 2011

Codevasf já investiu R$ 15 milhões na cajucultura piauiense

A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf), em parceria com o Governo do Piauí, já investiu cerca de R$ 15 milhões no fortalecimento da cajucultura no Estado. Os recursos foram investidos no cadastro, seleção e fornecimento de mudas.
O investimento representa um aporte de cerca de 13 mil hectares, atendendo mais de 20 mil famílias com uma média de 330 mudas para cada uma, tornando a cajucultura uma atividade consolidada no Piauí.
A principal área de cultivo de caju no Piauí fica no sudeste do Estado, no Território do Vale do Rio Guaribas, na microrregião de Picos. Segundo boletim da Codevasf, a região se destaca não apenas pela área plantada, mas também pelo aspecto qualitativo dos pomares, formados, em sua maioria, por cajueiros anão precoce, com alta produtividade e resistência.
O desenvolvimento da cultura do caju também provocou o fortalecimento dos elos da cadeia, como das unidades de processamento da fruta, que se multiplicam pela região. Hoje, o pequeno agricultor comercializa a castanha - até então o principal produto da atividade - diversifica e tem na venda do fruto o mais forte retorno econômico.
Dados da Codevasf revelam que um pequeno cajucultor consegue fornecer à indústria de sucos e polpa, em média, 20 caixas de caju diariamente por um período de cinco meses durante o ano. Isso garante uma renda mensal de R$ 4,2 mil praticamente livres de despesas, pois os custos fixos são cobertos pela venda da castanha.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Novos números da safra brasileira de castanha de caju

A última previsão da safra brasileira de castanha de caju para 2010, divulgada ontem no site do IBGE, tendo como referência o mês de dezembro de 2010, apresentou, em relação a 2009, uma variação de - 51,22% na produção, -1,93% na área plantada, +0,24% na área colhida (hectares) e -51,39% no rendimento (kg de castanha por hectare). A partir destes dados, o site Cajucultura organizou tabelas por unidade da federação com as respectivas previsões. Pelos números, é possível observar que a safra de 2010 ficará marcada como uma das piores safras da cajucultura brasileira. A produtividade por sua vez situou-se em 140 kg de castanha por hectare. Veja mais detalhes em Previsão no Brasil.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Safra de caju no Nordeste tem maior quebra em 20 anos

A mescla de chuvas irregulares, ventos fortes e pomares "idosos" vai resultar na maior quebra de safra da cultura de caju no Nordeste nos últimos 20 anos. De acordo com previsões de produtores locais e da estatal Embrapa, a safra 2010/11 poderá ser 50% menor do que a anterior, o que já está tendo impactos nas cadeias produtivas de castanha e de suco de caju.
A fruta é cultivada em todo o Nordeste - região que responde por 95% do total nacional -, com ênfase em Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, e tem sua produção concentrada entre os meses de outubro e março. Na safra atual, devem ser colhidas cerca de 1,2 milhão de toneladas de caju, quase metade do ciclo anterior. Já a produção de castanha não vai passar das 150 mil toneladas, com uma quebra superior a 50%.
"As condições climáticas trouxeram mais dificuldades para um quadro já complicado", afirmou o presidente do Sindicato das Indústrias de Beneficiamento de caju (Sindicaju), Lucio Carneiro. Segundo o dirigente, os ventos fortes e o tempo seco ocorreram justamente na época de floração da fruta, o que prejudicou a produção.
Com o declínio na oferta da castanha in natura, muitas beneficiadoras paralisaram as atividades e deram férias coletivas aos trabalhadores. É o caso da Cascaju, do grupo cearense Edson Queiroz, maior processadora de castanha do país, com capacidade de 60 mil toneladas anuais. Segundo a superintendente da empresa, Annette de Castro, a planta está parada desde novembro por falta de matéria-prima.
"Hoje só estamos atendendo nossos clientes com a castanha já processada que tínhamos em estoque. Temos capacidade de continuar atendendo até fevereiro, depois temos que voltar a operar, o que é sagrado", afirmou ela.
Assim como ocorre com a Cascaju, as indústrias brasileiras de beneficiamento de castanha estão com capacidade ociosa. Segundo Carneiro, o país pode processar hoje cerca de 430 mil toneladas por ano, bem acima dos volumes que vêm sendo beneficiados. Por esse motivo, os agentes do setor tentam ampliar as importações de castanha in natura vinda do oeste africano, especialmente de países como Nigéria, Gana e Costa do Marfim.
O presidente do Sindicaju alega, contudo, que o governo federal vinha dificultando as compras externas, por meio do endurecimento das exigências fitossanitárias. Ainda assim, está previsto para o próximo dia 16 o desembarque de uma carga de 500 toneladas de castanha in natura vinda de Gana. "Um de nossos pleitos é que essa operação seja facilitada e continuada", afirmou o dirigente.
Outra queixa do setor é o câmbio, visto que 80% da produção brasileira é exportada. Somada à quebra da safra, a valorização do real diante do dólar tem preocupado muito os beneficiadores de castanha. Por esse motivo, eles defendem que seja estabelecida uma política específica de incentivo ao setor, travestida em uma espécie de crédito-prêmio que compense com desoneração fiscal as perdas provocadas pelo câmbio.
"Se não houver uma política clara, se não houver nenhuma política compensadora, é possível que muitas empresas [beneficiadoras] nem voltem [a operar]", disse o presidente do Sindicaju.
O pedido de apoio vem na esteira de expectativas pouco promissoras para o setor. Isso porque o processo de envelhecimento dos pomares brasileiros vem resultando em uma perda contínua da produtividade, cenário que só tende a se agravar. Segundo Vitor Hugo de Oliveira, chefe-setorial da Embrapa, a safra atual vai render cerca de 160 quilos de caju por hectare, contra 300 quilos do exercício anterior.
"Precisamos urgentemente de um programa de renovação dos pomares, sob a pena de o Brasil começar a perder competitividade no mercado internacional. Vietnã, Índia e Nigéria, nossos maiores competidores, estão renovando. Ou renovamos ou vamos amargar quedas sucessivas de produtividade", afirmou Oliveira. Segundo ele, aos 30 anos os cajueiros começam a mostrar os primeiros sinais de debilidade.
Além da cadeia da castanha, a quebra na safra também está dificultando a vida das fabricantes de suco. Consumidora de 30 mil toneladas anuais de caju, a Empresa Brasileira de Bebidas e Alimentos (Ebba), dona das marcas Maguary e Dafruta, está pagando o dobro do preço pela fruta para manter estáveis os seus volumes de produção.
"Como líderes nacionais na categoria de suco integral, temos responsabilidade em atender o nosso cliente. E o caju é muito importante na categoria integral, pelo baixo custo e rendimento. Por isso, nossa prioridade é manter a disponibilidade do produto e estamos fazendo um esforço muito grande para isso", conta o presidente da Ebba, Romildo Tavares de Melo. "Foi realmente uma safra chorada", avalia. (Valor Econômico, 05/01/2011)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Panorama da safra de castanha na Índia para 2011

A safra de castanha de caju na Índia, cujo início atrasou devido às chuvas fora de época em novembro nas principais regiões produtoras do sul daquele país, está estimada em 700 mil toneladas.
Para 2011, a área cultivada com castanha de caju será de 920.000 hectares, em comparação com 890.000 hectares em 2010, uma taxa de crescimento de 3,3%o. Vale ressaltar que o país vem agregando em torno de 20.000 hectares de caju anualmente, nos últimos três anos.
A castanha de caju é geralmente colhida na Índia a partir de fevereiro, estendendo-se até maio. Em 2010, a produção da Índia de caju foi de 630.000 toneladas, com o cajueiro sendo cultivado principalmente em Maharashtra, Andhra Pradesh, Orissa, Kerala, Karnataka e Tamil Nadu.
A Índia importa mais da metade da sua demanda de castanha de caju in natura, devido à fraca produtividade. As importações são principalmente da Tanzânia, Moçambique, Quênia, Costa do Marfim e do Vietnã. Durante o corrente ano, os processadores indianos têm visto um aumento recorde nos preços dos importados castanhas. Os preços da castanha importada da Tanzânia subiram 47,6%,  para 1.845 dólares a tonelada, em comparação com U$ 1.250 por tonelada, em 2009/10.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Castanha de caju e comércio justo

A castanha de caju e o mel, itens importantes da pauta de exportação do Rio Grande do Norte serão certificados em comércio justo e solidário em 2011. O Sebrae espera ainda no primeiro semestre do ano contar com a castanha de caju, produzida na comunidade de Novos Pingo (Assu), e o mel obtido na região de Serra do Mel nas rodadas de negócio do segmento de Fair Trade. Técnicos do Sebrae acompanham cooperativas instaladas nas duas localidades para que esses produtos tenham a certificação e passem a ser comercializados fora do Brasil com preços mais justos e competitivos.
“Queremos mostrar para o mercado nacional que o Rio Grande do Norte tem produtos de excelente qualidade que estão sendo adquiridos por grandes redes de varejo do mundo. Queremos fazer um marketing desses produtos que participam desse modelo diferenciado de vendas”, enfatizou o diretor técnico do Sebrae, João Hélio Cavalcanti, destacando o fato da bonificação.
Esse modelo de comércio é caracterizado por uma série de procedimentos corretos. São práticas, como o não uso agrotóxico, não se apropriar do trabalho infantil e escravo, preservação da saúde das pessoas e do meio ambiente, respeito à legislação trabalhista, pagamento de preço justo e estímulo ao desenvolvimento sustentável, cooperativismo e associativismo.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Vietnã continua em primeiro lugar na exportação de castanha de caju

Em 2010, o Vietnã continuou ocupando a primeira posição mundial na exportação de castanha de caju e pimenta do reino, segundo lugar na exportação de arroz e o terceiro na exportação de borracha natural.